Escolas
começam o ano pedindo um texto ou um desenho sobre as férias. Em fevereiro dão
algum desenho da Mônica em trajes carnavalescos. Quando chega abril, o desenho
é do Índio e em maio pontua sobre o dia do trabalhador. Em agosto é certo:
todas escolas tratarão do tema folclore, mas muitas vezes a abordagem será em
torno do Saci. Setembro tem dia da independência, em outubro dia das Crianças,
novembro Proclamação da República e Consciência Negra e dezembro é Natal!
Depois ainda muitos professores se
queixam que os alunos estão desinteressados! Não é para menos... Desde a
Educação Infantil seguindo a mesma lógica, os mesmos temas no mesmo período e
as vezes até com a mesma abordagem!
Há uma dependência tão grande em
relação às datas comemorativas que mesmo no maternal, que atende crianças de 3
e 4 anos cheguei a ver atividade nomeada como “Dia do Telefone”. O que isso
acrescenta a essa faixa etária? O que comemorar ou lembrar dessa data
significa? É mais importante saber o dia da invenção do telefone ou desenvolver
capacidades comunicativas com crianças nesse período do desenvolvimento?
Precisamos sim falar sobre a questão
indígena na contemporaneidade, o negro na sociedade atual, o folclore, carnaval
e festa junina como expressões culturais de nosso povo. Para isso, devemos ter
cuidado para não cair nas armadilhas do estereótipo, do trabalho raso, da
atividade pela atividade, sem fundamentos, ausente de reflexão.
Ao dar uma folhinha e pedir para
pintarem, primeiro tolhemos a imaginação e criatividade de serem os
protagonistas de sua própria arte e segundo que apresentamos o vazio e o
preconceito, embora o preconceito esteja sempre cheio de algo.
O vazio porque a atividade não
explora uma série de questões, não contextualiza, não mostra o processo
histórico, não cria outros significados, não problematiza. Fica um conteúdo
esvaziado de sentido. Instiga o preconceito porque ao tratar de forma
superficial, cria o estereótipo e limita a figura a um tipo apenas de imagem e
de representação, geralmente distorcida, e daí se perpetua o índio que tem
sempre penas na cabeça, o trabalhador sempre com roupas de operário, o negro
com vestes de escravidão.
Por isso que embora os alunos façam
alguma atividade todos os anos sobre o Dia da Independência ou qualquer outra
data, não saberão falar sobre o assunto mesmo estando no 5° ano do Ensino
Fundamental, e terem visto isso por vários anos.
Enquanto professores que nos libertemos
das datas comemorativas! Não precisamos nos afastar por completo do trabalho
com datas, afinal datas festivas precisam ser lembradas como expressão
cultural, mas que coloquemos o assunto na importância que possui, sem tratá-lo
como evento, ou fato superficial, indagando se é importante a data ser estudada
com determinada turma, escolhendo as datas que convém serem trabalhadas com
aquela faixa etária e com qual abordagem.
Ana Paula Ferreira
02/01/2016
Parabéns,Ana!!
ResponderExcluirObrigada, Tânia!
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