O artigo em anexo foi elaborado em companhia da professora e amiga Ana Chaves e publicado na revista Criar Educação.
Aborda a questão da interdependência entre os espaços, enfatizando as mudanças no bairro Conjunto Habitacional (Poços de Caldas) e alguns impactos na estrutura e organização da Escola Estadual Professor José Castro de Araújo.
Esse trabalho contribui para a memória e história local, como para repensarmos o espaço escolar.
Clique AQUI para ver o artigo.
Um blog para refletir sobre a educação... lembrando que a educação é do dia-a-dia, está em tudo e em todo lugar.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2016
sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
Sororidade – instrumento contra violência de gênero
A cada 4 minutos, uma mulher dá entrada no SUS vítima de violência. Foi
também em menos de 5 minutos que na cidade de Três Corações (MG) o comerciante
Luiz Felipe Neder Silva agrediu Edvânia Rezende. O que é mais ironicamente trágico
é que essa mulher é uma segurança que foi brutalmente espancada ao tentar
proteger a esposa de Luiz Felipe, a delegada Ana Paula Gontijo.
Isso é um exemplo cruel do ocorre no Brasil, pois mostra que não é a
posição social, profissão ou grau de escolaridade que trará proteção contra a
violência. As ocupações das mulheres citadas acima (segurança e delegada)
sugerem que estão mais resguardadas pelo poder que o cargo oferece, mas não foi
isso que ocorreu porque infelizmente a violência contra a mulher é extremamente
alta, mas nem sempre tratada com a atenção que merece, haja vista, por exemplo,
o corte de verba em diversos programas voltados às mulheres pelo presidente
Michel Temer.
A proposta de orçamento para 2017 do governo federal apresenta uma
redução de 74% no orçamento que diz respeito ao “Atendimento às Mulheres em Situação de
Violência”. Se as cenas da cidade de Três Corações mostram a vulnerabilidade da
mulher, tal barbaridade orçamentária mostra que o número de mulheres sem
assistência do Estado tende a aumentar.
Sabe-se que a violência contra mulher e especificamente a violência doméstica alcança recordes
absurdos por conta de uma mentalidade machista, patriarcal e de subjugação do gênero feminino. Mas, além dessas questões
socioculturais há uma sociedade que ignora o fato e um Estado que assim também
procede quando não acolhe as vítimas, que muitas vezes não possuem autonomia
financeira para o sustento dos filhos.
O vídeo divulgado na mídia da agressão à segurança é um exemplo incomum
do tema tendo em vista que o silêncio se torna mais vigilante. Cotidianamente
os vizinhos emudecem com receio de serem invasivos, os familiares mais próximos
preferem acreditar que só foi uma briga e que tudo estará bem. O ritmo de violência
aumenta pela negligência da sociedade. Culpam a mulher de não denunciar, mas
cada qual também se acovarda perante a situação.
Por mais que machistas não deixarão de sê-lo ao assistir a esta cena
transmitida em vídeo por outro lado há terreno fértil para se germinar a
semente da
sororidade, tendo em vista que sensibilizou inúmeras
pessoas que se encolerizaram com a situação.
Edvânia remou contra a maré quando teve coragem em tempos de
acovardamento, mostrou empatia
em tempos de individualismo. É necessário mais
Edvânias no mundo para um enfrentamento contra o feminicídio. Necessita de
Edvânias, de políticas públicas protetivas e de um debate constante sobre o
assunto.
Infelizmente há ainda a mulher escravizada em um relacionamento doentio,
em sua ideologia de que deve obediência cega ao cônjuge ou está econômica e
afetivamente subordinada ao companheiro. Essas algemas socioculturais são
demasiadamente fortes para serem quebradas apenas por uma pessoa. Exige sororidade e tomada de atitude de modo que o soluço do oprimido se
transforme em voz que não será mais abafada.
Ana Paula Ferreira
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
AS REGIÕES BRASILEIRAS E O NOSSO PATRIMÔNIO: EXPERIÊNCIA DE EDUCAÇÃO PATRIMONIAL
Trabalhar patrimônio é partir do local e avançar para o global.
É necessário que o estudante valorize o espaço onde vive e se compreenda como agente de mudança e daí ser importante o constante repensar sobre a relação patrimônio/ memória/ poder e nas práticas pedagógicas para que esse espaço se torne objeto de visibilidade e de cuidado.
Deixo AQUI um artigo publicado na revista Criar Educação onde relato uma experiência com o patrimônio público do bairro e sua relação com o patrimônio brasileiro.
É necessário que o estudante valorize o espaço onde vive e se compreenda como agente de mudança e daí ser importante o constante repensar sobre a relação patrimônio/ memória/ poder e nas práticas pedagógicas para que esse espaço se torne objeto de visibilidade e de cuidado.
Deixo AQUI um artigo publicado na revista Criar Educação onde relato uma experiência com o patrimônio público do bairro e sua relação com o patrimônio brasileiro.
Conjunto Habitacional Pedro Afonso Junqueira - Poços de Caldas
Quer conhecer a história do Conjunto Habitacional de Poços de Caldas?
Essa apresentação foi elaborada para que os alunos da Escola José Castro de Araújo pudessem compreender o espaço em que se situam, valorizando o movimento de gerações anteriores em lutar por melhorias no bairro conforme pode ser apreciado pelas fotos e notícias de época.
Porém, compartilho AQUI de modo que essa valorização se estenda a todos!
Essa apresentação foi elaborada para que os alunos da Escola José Castro de Araújo pudessem compreender o espaço em que se situam, valorizando o movimento de gerações anteriores em lutar por melhorias no bairro conforme pode ser apreciado pelas fotos e notícias de época.
Porém, compartilho AQUI de modo que essa valorização se estenda a todos!
AS CONFIGURAÇÕES DE SENTIDO EM TEXTOS FICCIONAIS
Qual a relação entre o ensino e produção de sentidos?
Qual a relação entre linguagem e ensino?
Clique aqui
segunda-feira, 28 de novembro de 2016
Há sentido na escola?
Sentido é a essência atribuída por um sujeito numa atividade, trabalho, relação, enfim... em algo que esteja sendo realizado com desprendimento de energia. Se não há sentido, ocorre a alienação, pois retira do ser humano algo que lhe é próprio que é sua condição de ir além do palpável para alcançar as vias do projeto, do que está no horizonte.
O horizonte é do sujeito, mas pode ser criado e compartilhado por outros. Exemplo disso é quando se lança um desafio e os estudantes na ânsia de acharem as respostas se mobilizam quebrando a cabeça. Inicialmente não tinham o problema (dado concreto) nem a vontade de solucioná-lo (sentido), mas foram impulsionados a saírem da inércia para um movimento intelectual.
Lembrando que o horizonte é do sujeito, os problemas só se tornarão um objeto de estudo se fizerem sentido para este. Trinta alunos, trinta sentidos? Não se trata de fórmula matemática, até porque cada pessoa tem inúmeros sentidos na vida e, alguns desses incontáveis se misturam com tantos outros de outras pessoas e achar o denominador comum não é tão complicado.
Isso aconteceu em casa. Minha filha de 5 anos aprendeu a ler, mas é interessante perceber que não lê seus próprios livros. Acha cansativo ficar decodificando um texto que já sabe a história. Então pega o livro e narra cada parte dele com seu vocabulário, suas impressões, sua autoria. Criou sentido na narração, mas não na leitura. Por outro lado, numa brincadeira com ela e minha sobrinha, eu espalhei dicas de caça ao tesouro pela casa e para encontrá-lo precisavam ler as recomendações. Eu achei algo em que duas crianças se sentiam tocadas a ler e elas em contrapartida divertiram-se lendo, porque ler foi desafiador e a leitura ganhou sentido.
Quando o sentido não é criado, ocorre em sala de aula um ato rotineiro que é a relação de troca atividade/ nota. Assim, a criança assimila aprendizagem como ato servil onde seria emancipatório, preparando-se futuramente para ser um funcionário que obedece, mas não questiona, e trabalha não por se sentir existencialmente realizado, mas pela troca trabalho/ salário. Sob esse modelo a escola ensina a alienação e ainda costura uma mentalidade individualista e pragmática afinal o que importa não é o fruto do meu trabalho e suas funções sociais, mas sim minha remuneração ou minha nota.
Se quisermos uma educação existencial ela deve ser construída com base no sentido, pois sentido é vida, é pulsação e cor, fora isso se cria uma educação que sequestra o indivíduo da sua própria criação e alimenta um sistema socioeconômico que reduz o sujeito a insignificante capital humano.
Ana Paula Ferreira
sábado, 5 de novembro de 2016
Textos e interpretação: comunicação, saúde e atividades econômicas
Leia o texto abaixo e responda:
Quanto mais tempo a criança fica em
frente a televisão pior é para elas. Uma pesquisa feita nos Estados Unidos
mostrou que as crianças que assistem muito televisão tem notas mais baixas
porque a concentração diminui, não conseguem manter o foco em uma atividade,
são impulsivas e podem desenvolver diabete e obesidade. Outra coisa que a
pesquisa apontou é que filmes violentos deixam as crianças mais agressivas e
que meninas que passam horas na frente da TV tendem a ter uma puberdade
precoce.
|
1) Dicionário:
Diabete:_______________________________________________________________
Obesidade:____________________________________________________________
Puberdade:____________________________________________________________
Precoce:_______________________________________________________________
2) Sobre qual meio de comunicação o texto está
falando?____________________________
3) O que a pesquisa mostrou?___________________________________________________
__________________________________________________________________________________________________________________________________________
4) Por que os filmes
violentos NÃO são adequados para
crianças?
_____________________________________________________________________
5) Poços de Caldas é uma
cidade que recebe dinheiro de impostos da indústria, do comércio e do turismo. Ligue cada setor ao exemplo de atividades.
Indústria Hotéis, Walter World
Comércio Casas
Bahia, shopping
Turismo Alcoa,
Danone, Phelps
Veja o gráfico abaixo e
responda:

6) Qual é o meio de comunicação mais usado pelas
famílias dos alunos?_______________
7) Qual o menos usado?_______________________________________________________
OBS. O mais interessante é fazer o gráfico com base no que os alunos da própria sala evidenciam de suas casas. É uma forma de diagnóstico da turma em relação aos meios de comunicação e ao mesmo tempo uma construção coletiva de um texto que os estudantes precisam dominar. O professor pode listar diversos meios de comunicação e pedir que os estudantes levantem a mão uma única vez para o meio de comunicação mais utilizado em casa. Com base na coleta é possível construir esse tipo de texto e articular Matemática e Geografia nos anos iniciais do Ensino Fundamental.
OBS. O mais interessante é fazer o gráfico com base no que os alunos da própria sala evidenciam de suas casas. É uma forma de diagnóstico da turma em relação aos meios de comunicação e ao mesmo tempo uma construção coletiva de um texto que os estudantes precisam dominar. O professor pode listar diversos meios de comunicação e pedir que os estudantes levantem a mão uma única vez para o meio de comunicação mais utilizado em casa. Com base na coleta é possível construir esse tipo de texto e articular Matemática e Geografia nos anos iniciais do Ensino Fundamental.
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
Poços de Caldas: um pouco da história dos meios de transporte e interpretação
HISTÓRIA DOS MEIOS
DE TRANSPORTE EM POÇOS DE CALDAS
Na nossa cidade existiram alguns meios
de transporte que hoje não existem mais. Cada um teve sua importância de acordo
com a época.
·
Carros de boi – iniciaram o progresso da povoação
transportando produtos locais e trazendo de outras cidades, as utilidades
necessárias à vida diária do povoado.
·
Banguês – viaturas cobertas, suspensas por
grossos varais, onde eram atrelados cavalos ou bestas, um na frente e outro
atrás e serviam para o máximo dois usuários.
·
Troles – carruagens rústicas descobertas, mais
estreitas na frente e alargando para trás, dava assento para quatro
passageiros, além do cocheiro, havendo ainda lugar para bagagem.
·
Trem – através da Companhia Mogiana de
Estradas de Ferro fundada em 1872. Trazia turistas principalmente de São Paulo
e Rio de Janeiro, mas com o aparecimento das rodovias, diminui-se o transporte
de passageiros pela ferrovia.
·
Bonde de burros – começou a trafegar em Poços de
Caldas em 1892, cujo trajeto passava pela Estação Mogiana, Rua Junqueira,
Marquês de Paraná (Assis Figueiredo), Rua da Vala (Avenida Francisco Salles) e
Praça Senador Godoy (atual Pedro Sanches). Como era muito lento, perdeu a
finalidade e em 1899 seus trilhos foram retirados.
·
Tilburis – viaturas ligeiras, puxadas por
cavalos e com a boleia alta para o cocheiro. Eram cobertos por ampla capota e
alguns possuíam cortina para proteger os fregueses das chuvas inesperadas.
·
Aranhas – meio de transporte arredondadas na
parte de trás, onde ficava a portinhola de acesso.
Resumo do livro
“Memórias históricas de Poços de Caldas”, Nilza Megale
1) Ligue:
Carros de boi Trazia turistas
Bonde Passava
por algumas ruas da cidade
Carros de boi Trazia
produtos de outras cidades.
2) Por que o bonde de burros deixou de existir em Poços
de Caldas?
__________________________________________________________________________________________________________________________________________quinta-feira, 3 de novembro de 2016
Problemas envolvendo conhecimento geométrico, capacidade e medida
1) Samara observou que todas as janelas de uma sala
eram retangulares e contou os lados de todas as 6 janelas. Que número ela encontrou?
Conta
|
Resposta:
|
( A )
Encontrou 36 lados.
( B )
Encontrou 25 lados.
( C )
Encontrou 24 lados.
( D )
Encontrou 6 lados.
|
2) Letícia tem um jogo com 9 pentágonos. Ela resolveu contar quantos vértices tinha
no total de todas as figuras. Que número ela encontrou?
Conta
|
Resposta:
|
( A )
Encontrou 90 vértices.
( B )
Encontrou 40 vértices.
( C )
Encontrou 45 vértices.
( D )
Encontrou 5 vértices.
|
3) Evandro precisa dividir 2 litros de refrigerante em
copos de 500 ml. Quantos copos ele conseguirá encher?
Conta
|
Resposta:
|
(
A ) 3 copos.
(
B ) 4 copos.
(
C ) 2 copos.
(
D ) 5 copos.
|
4) Wallison mede 1, 37 metros. Lembrando que 1 metro é
igual a 100 centímetros, quantos centímetros Wallison mede?
Conta
|
Resposta:
|
(
A ) Ele mede 1.370 centímetros.
(
B ) Ele mede 1.300 centímetros.
(
C ) Ele mede 1.037 centímetros.
(
D ) Ele mede 137 centímetros.
|
5) Danilo tinha 4 litros de suco. Tomou 1 litro e meio.
Quantos litros sobraram?
Conta
|
Resposta:
|
(
A ) Sobraram 2 litros e meio.
(
B ) Sobrou meio litro.
(
C ) Sobraram 3 litros.
(
D ) Sobraram 1 litro e meio.
|
Reflexões sobre filhos de políticas públicas
Hoje a mãe de Isabela
ficou encantada em ver que a filha de apenas 5 anos, estava preferindo ficar em
casa escutando a leitura do livro “Frankenstein”, adaptação de Laura Bacellar,
do que ir passear na casa da prima, amiga inseparável de bagunças.
Isso é reflexo de uma
criança que desde bebê ouviu estórias... Contos de fadas, fábulas, histórias em
quadrinhos e hoje escuta a leitura de obras de mais de cem páginas na qual a
mãe lhe conta um ou dois capítulos por dia.
Se a Isabela gosta de
livros é também por conta de professoras que todos os dias lhe contam belíssimas
histórias e que ela reconta com grande encantamento. Se as professoras contam é
porque há livros na creche e esses livros fazem parte de um Programa de livro
na escola.
Tem também participação
nesse processo as caixas de livros de leitura que foram encaminhadas a todas as
escolas de 1° ao 3° ano porque sendo a mãe de Isabela professora, trazia os
livros para casa para lê-los para a filha e assim saber o que esperar do livro
ao abordá-lo em sala de aula.
Indiretamente, o gosto
pela leitura é decorrente ainda das políticas de formação de professores, como
por exemplo, o Pacto Nacional de Alfabetização na Idade Certa, na qual pela
primeira vez na história da educação do Brasil professores foram remunerados
para estudarem e onde a pedra de toque foi tornar a leitura como algo rotineiro
e prazeroso na sala de aula.
É reflexo de um
investimento maciço em educação ao ponto de se ampliar o número de universidades
federais e de pós-graduações possibilitando que a mãe de Isabela faça mestrado
e busque trazer para a vida o que aprende na academia.
É consequência de
investimentos em Educação nos últimos anos que possibilitaram construções de
novas creches, demarcação de um piso salarial para professores (embora não
cumprido em Poços de Caldas) e coisas que foram conquistadas, mas que ainda a
Isabela não vivenciou como o Instituto Federal, PROUNI, Ciência sem Fronteiras.
E é isso que deixa a
mãe de Isabela com um misto de alegria e de tristeza. Alegra-se em ver a filha
se deleitando com a leitura, capital cultural que será sua herança. Por outro
lado sofre em saber que várias conquistas no campo da Educação a Isabela e sua
geração muito provavelmente não tomarão parte.
Se hoje a Educação
mesmo com todos investimentos nos últimos anos ainda não é a dos nossos sonhos,
tampouco será com a votação da PEC 241 que prevê um congelamento de gastos
nessa área por 20 anos. Não conseguimos ensino integral para todas as nossas
crianças, nem acabar com o analfabetismo funcional. Não conseguimos incluir de
forma digna os que possuem necessidades especiais nem ofertar um ensino que
alie disciplinas obrigatórias e as optativas como dança, música ou teatro.
Enquanto nação, não conseguimos uma série de coisas, mas sem dúvida estávamos avançando
com políticas públicas atinentes com as minorias sócio-culturais ao se possibilitar
que o negro e a classe trabalhadora ocupassem espaços que eram privilégio da
burguesia.
Saqueiam os
investimentos progressivos, amanhã vendem a Petrobrás e junto com ela vão-se
embora os 10% do pré-sal para Educação, e daqui alguns anos viveremos um
desmonte da educação pública. Hoje é um dos dias em que nos roubam os sonhos de
uma educação de qualidade que possibilitaria que os filhos do trabalhador
tivessem as mesmas oportunidades que os filhos do patrão.
Fico apenas com a
alegria de lembrar a vivacidade da Isabela em aprender... Agarro-me a isso para
me sustentar...
Texto também publicado no Jornal da Cidade de 14/10/2016
Somos professores...
Ser é bem diferente de
estar... Estar é uma condição passageira, transitória, sem ligação profunda com
o passado, nem planos para o futuro. Ser é existencial, pois parte do que já
somos e nos ressignifica. Não é uma peça de roupa que trocamos, mas a nossa
vida que é significativamente alterada ao longo de um percurso.
Por isso, não estamos
professores. Somos professores!
Somos professores não
porque nascemos com sacerdócio ou dom! Preparamo-nos de forma sistemática nos
cursos de graduação e essa formação merece respeito. Porém, ao entendermos que
é uma profissão que não lida apenas com a aquisição do saber, mas, sobretudo
com a construção do ser humano, ser professor é algo que mexe com quem bebe desta
água. Abala-nos porque precisamos estar o tempo todo lidando com nossas
questões éticas, estéticas, culturais e sociais para oferecermos o de melhor
para a formação do outro, formAÇÃO que em seu processo impacta sobre quem somos
e para que ensinamos.
Não é por sermos
professores que deixaremos de tomar cerveja nos fins de semana, nadar de
biquíni ou de usar maquiagem. A mudança não é virar a Professora Helena do
Carrossel, mas é bem mais profunda, pois remete a pensarmos na importância de
nossa prática ver junto de nosso discurso.
Ao ser professor em
escala menor ou maior buscamos uma educação que altere o mundo e diante disso precisamos
travar lutas contra os nossos dragões internos. Dragão do medo da rejeição de
uma aula que foi cuidadosamente planejada; em lidar com a raiva diante dos desrespeitos;
em sentir a alegria das conquistas de nossos alunos. Quantos sentimentos
envolvidos! E por isso somos... porque erramos, acertamos, respiramos e
transpiramos a educação!
Ser professor não é
tarefa fácil, principalmente no cenário político atual em que se sacrifica a
educação sob o lema vil de fortalecer a economia, como se essa se sustentasse
sem aquela. É uma profissão difícil frente à negligência social que abandona a
educação primária e as relega para a escola. Mas, diante de todas as dificuldades,
seguimos sendo professores, nos reconstruindo e lembrando que essa data serve
para reforçarmos a nossa importância na reconfiguração de outra sociedade, a
começar pela valorização da educação pública de qualidade e dos profissionais
que nela trabalham.
domingo, 30 de outubro de 2016
História de Poços de Caldas: aula em slides
Quer aproveitar o aniversário da cidade para enfocar alguns dados sobre a cidade de Poços de Caldas?
Ou ainda destacar certos pontos depois de ter trabalhado o conteúdo no decorrer do ano?
Deixo aqui os slides que eu apresentava nas aulas de História com o Ensino Fundamental I.
Clique AQUI, acesse e depois comente!
Ou ainda destacar certos pontos depois de ter trabalhado o conteúdo no decorrer do ano?
Deixo aqui os slides que eu apresentava nas aulas de História com o Ensino Fundamental I.
Clique AQUI, acesse e depois comente!
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
Coletivo Educação
Era uma vez um
menino...
Era
uma vez um menino...
Que
nasceu do afeto de várias mães e muitos pais.
Mãe
mais disciplinadora e mãe mais liberal,
pai
mais sistemático e pai mais radical.
E
por nascer assim convivendo com a contradição
Aprendeu
a se aborrecer com o trivial
A
amar o diálogo responsável
A
questionar as intolerâncias
No
início o menino andava meio perdido
Pois
era tanto plano
Tanta
ideia louca de seus pais
Que
ele não sabia para onde correr
Queria
as lutas sindicais
E
o trabalho educativo humanizado
Queria
donos do poder pressionados
E
a defesa por uma educação pública
Laica,
partidária dos oprimidos
Mas
mesmo não sabendo para onde correr
O
menino pulava, corria, agachava e caía
Se
levantava depois de descontos em folha de pagamento
Se
abastecia de seus sonhos de menino
Sonhos
de uma sociedade
em
que a lei do compromisso social
Fosse
maior do que a égide do capital
Onde
a rotina fosse preenchida com a esperança
E
esperança não se furtasse de uma prática organizada.
Eita
contradição apetitosa para o menino!
Saboreava
a disciplina do estudo
E
o calor da não hierarquia
Alimentava-se
da teoria
Mas
não fugia da rua
E
na rua seguia com o sindicato
Para
ecoar gritos de valorização profissional
Ia
em reunião docente
Para
mostrar o projeto doente
Da
Escola sem Partido
Revia
plano municipal de Educação
E
propunha carta a candidatos a eleição.
O
menino continua menino
Sonhador
como uma criança
E
travesso em querer abraçar o mundo.
Seus
pais mostram que é possível
Se
o menino se juntar com vários braços
Pois
no abraço em comunhão
Pode-se
fazer um grande cinturão
E
contornar as linhas imaginárias
Que
cortam o mundo.
Esse
menino que tem por nome Coletivo
E
sobrenome Educação
Pode
ser abraçado por você, por você e por todos nós
Para
compor uma sinfonia de um outro mundo.
Quem
quiser é só entrar em contato.
Ana Paula Ferreira
Breve biografia
O Coletivo é formado
por servidores públicos, educadores sociais e professores em todos os níveis de
ensino e se apoia na formação docente e na militância por uma educação pública
de qualidade. Reúne-se quinzenalmente no espaço colaborativo do Coletivo
Corrente Cultural, o Lab3, e discute metodologias, analisa a conjuntura atual,
planeja participações na sociedade, articula-se com outros setores. Dentre suas
ações que merecem destaque cita-se a organização da palestra do professor
Carlos Rodrigues Brandão, oferecida gratuitamente no espaço da Urca para mais
de 400 pessoas, debate nas escolas sobre o perverso projeto de lei “Escola sem
Partido”, a palestra “Política para não ser idiota” e participação em diversas
frentes para a valorização do trabalhador da educação. Conta ainda com alguns
de seus integrantes como membros do conselho de acompanhamento do FUNDEB.
quarta-feira, 28 de setembro de 2016
Proalfa e sugestões para melhorar o desempenho da escola nos descritores
As avaliações externas não devem ser tratadas como mera burocracia, mas como mecanismo de se pensar onde a escola avança e onde apresenta lacunas no desenvolvimento dos estudantes.
Os slides abaixo mostram a partir da nota de determinada escola pelos resultados do Proalfa algumas estratégias de intervenção em cada descritor, detalhando principalmente aqueles que vão além da alfabetização e aquisição do código escrito.
É interessante analisar os modelos de cobrança das provas para saber como é exigido determinado conteúdo, mas friso que são atividades que devem ser adaptadas e repensadas de acordo com cada realidade, intercalando as exigências das Secretarias de Educação e fomentando um processo de humanização.
Vejam os slides aqui
Os slides abaixo mostram a partir da nota de determinada escola pelos resultados do Proalfa algumas estratégias de intervenção em cada descritor, detalhando principalmente aqueles que vão além da alfabetização e aquisição do código escrito.
É interessante analisar os modelos de cobrança das provas para saber como é exigido determinado conteúdo, mas friso que são atividades que devem ser adaptadas e repensadas de acordo com cada realidade, intercalando as exigências das Secretarias de Educação e fomentando um processo de humanização.
Vejam os slides aqui
sexta-feira, 23 de setembro de 2016
Quem luta educa
Qual é o compromisso que temos com a educação pública? Ser competente e dominar os conteúdos, incluir alunos com dificuldades, agir de forma ética quebrando preconceitos e intolerâncias, avaliar pelo que o estudante apresenta e não mediante comparações, ofertar um ensino com diversidade de metodologias, agregar o conhecimento alheio, aproxima-se da comunidade, incentivar o questionamento e a autonomia. São vários os compromissos que assumimos quando nos propomos educadores e por isso que exercer a autoridade de ensinar é um desgaste psicossocial. Não somos professores apenas das 13 horas às 17h20min e as exigências da profissão faz com que o trabalhador da educação se repense na fulcral pergunta “Que tipo de referência estou sendo?”
Por mais que a sociedade tenha mudado e a figura quase sagrada do professor não exista mais, ainda percebe-se o peso de seu discurso, a intervenção de sua postura, a força de sua palavra. Nas palavras não estão somente informações que explicita ou implicitamente, revelam nossa visão de mundo, de ser humano, de sociedade e que interferem na educação dos estudantes e das famílias.
Quando há uma chamada nacional para paralisação dos trabalhadores de modo que reajam na defesa de seus direitos e busquem avançar em tantos mais e, os professores agem como se nada ocorresse, que mensagem está fornecendo a seus alunos?
Podemos enumerar diversas concepções de mundo presentes nessa negligência, como por exemplo, que o conteúdo é distante da vida, que não há esperanças em lutar, que exercer o direito a cidadania participativa é somente discurso em aula de História, que se calar e resignar é o melhor remédio.
Sabemos que entre os nossos colegas de trabalho muitos remarão contra as ações sindicais dizendo que não os representam. Porém é importante pensarmos que mudamos qualquer sistema (político, educacional, sindical, etc.) de dentro da estrutura, questionando propondo alterações. Portanto, não será em intervalos na sala de professores com queixas que alteraremos o órgão que nos representa.
Por vezes também serão lançadas dúvidas sobre o trabalho dos que aderem à paralisação sob a justificativa de prejudicarem os estudantes. Quem geralmente paralisa não está se furtando do trabalho, mas pelo contrário, tendo dois trabalhos. Primeiro porque participará de passeatas e de encontros para se informar a respeito das propostas do patronato. Depois porque obrigatoriamente deverá repor aquele dia.
É mito dizer que paralisação ou greve prejudica os estudantes. O que prejudica são medidas governamentais pouco interessadas no trabalho da educação, são rasteiras políticas que enfraquecem a educação pública de qualidade.
Se acreditamos na autonomia do estudante também devemos exercer a nossa fugindo de justificativas “Se todo mundo parar eu paro”. Se compreendemos que a aula não é somente dentro das salas, podemos avançar para as ruas de modo que os conteúdos se transformem em hino de força e de união.
Quem luta educa, pois deixa o testemunho de seu compromisso com uma educação que transcenda a sala e a escola em busca de uma qualidade no atendimento a contar com a própria valorização do professor.
Avancemos na luta!
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
Folclore regional: fortalecer nossas raízes
Folclore é Saci, Iara,
Boi Bumbá, Boto Cor-de-rosa, Negrinho do Pastoreio. É crendice, provérbio,
prato típico, ditado popular, trava-língua, chás, benzeduras. É cultura de um
povo, é sabor, cheiro, som, história, tradição. Frente a uma indústria cultural
que apaga as memórias, aprecia o que há de mais imediato e massifica, folclore
é resistência de grupos que buscam preservar sua cultura, nos dizeres de
Brandão (1982, p.41) “A cultura do folclore não é apenas ‘culturalmente’ ativa.
Ela é também politicamente ativa. É um codificador de identidade, de reprodução
dos símbolos que consagram um modo de vida da classe.”
Para preservarmos é
necessário conhecer, sair do senso comum de folclore associado tão somente ao
Saci-Pererê e nos deslocarmos para a posição de curiosos vendo em cada
manifestação folclórica um gesto de rebeldia tal qual uma planta que nasce no
asfalto. O folclore traz a marca do povo e por isso tem os caracteres culturais
do africano, do português e do indígena formando o que conhecemos através da
transmissão oral, na imitação direta daquilo que caiu em domínio público e que
alia a tradição e certa dinâmica.
O que é tradição na
nossa região? Quais são as memórias locais? Quais lendas regionais que
conhecemos? Um povo que não mergulha na sua cultura é um povo com mais
condições de ser controlado e manipulado por outras culturas, de sofrer
aculturação, de depreciar o modo de falar e agir de sua gente. Não quero dizer
com isso que devemos nos isolar em nossos próprios saberes, mas que é
necessário ter um conhecimento sólido de nossas raízes para que não fiquem
expostas e vulneráveis às primeiras chuvas ou tormentas de uma cultura que
homogeneíza.
Para fortalecermos
nossas crianças com lendas que passeiam pela cultura de nossa cidade há vários
capítulos do livro “Memórias Históricas de Poços de Caldas” de Nilza Megale que
merecem ser lidos e apreciados primeiramente por nós professores. As crianças
ficam encantadas com lendas tais quais da menina Cipriana, os fantasmas do
cafezal e a lenda do Corumbá. Outra sugestão é entrevistar os mais velhos sobre
os chás que costumavam fazer diante de alguma dor ou enfermidade, pesquisar
ditados populares usados na família e seus significados, enfim, partir do local
e estender para um universo cultural cada vez mais amplo, de troca, de
fortalecimento do existencial, instigando a valorização e o pertencimento sem
perder de vista a abertura para o desconhecido.
Ana Paula Ferreira
Referência:
BRANDÃO, C. R. O que é Folclore. São Paulo:
Brasiliense, 1982.
Texto publicado no Jornal da Cidade, 09/09/2016
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