“Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?”
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?”
A História nos conta a versão dos vencedores
como tão bem falou Brecht em seu poema “Perguntas de um operário letrado”.
Sabemos da história da Europa, mas achamos que na América não tinha nada digno
de estudo até a chegada do colonizador.
Estudamos rainha Elisabete, Napoleão, Hitler, mas pouco sabemos da
História da África, da história daqueles que formaram o povo brasileiro ou
história das mulheres. Contos europeus são contados desde que somos pequenos e
as muitas vezes ignoramos nossas lendas.
Diante
de tantas Histórias (ou estórias?) preenchemos a vida dos pequenos com outras
formas de colonização cultural: damos bonecas que não se assemelham ao genótipo
da brasileira; expomos a referências de Anas e Elsas, mas não damos o
contraponto de se pensar a história e a cultura da mulher latina ou de se
valorizar personagens femininas reais que viveram e lutaram para uma sociedade
mais justa.
Não
precisamos eliminar as produções estrangeiras, até porque diante de suas
qualidades podem ser valorizadas como produção da humanidade. Mas podemos
pensar numa educação que se faça para além das princesas, para além da visão
colonizadora. Uma das estratégias é o nome às bonecas.
Que
fiquem estórias de Belas Adormecidas para as crianças, mas que também saibam as
histórias de Frida, de Miriam Makeba (Mama África), de Angela Davis, Rosa
Luxemburgo, de Laudelina, de pintoras, cientistas, professoras, escritoras,
mães, mulheres de carne e osso.
Ana Paula Ferreira
24/10/2015
24/10/2015